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A ressaca moral da política em Minaçu, após 4 dias de turbulência




Minaçu viveu dias de turbulência. Em 4 dias, Líria desistiu da disputa, e num efeito dominó levou Zilmar Filho, que queria só mais um motivo para entregar os pontos. Poderia ter saído de cabeça erguida, mas decidiu, antes, cair para o colo do seu adversário mais emblemático, Nick Barbosa, participando de adesivaço da campanha de Lúcia, sua esposa, horas depois.

Até ontem, Zilmar era conhecido como o prefeito da OS. Não é mais. É tido, desde então, como o primeiro prefeito da história de Minaçu, que desistiu da reeleição no meio do caminho, com a máquina na mão, interrompendo uma trajetória política que estava só começando. A ressaca do dia seguinte teve um gosto amargo para Zilmar, afinal a recepção de seu nome no grupo de Lúcia não foi das melhores.

Corre pelos bastidores que um acordo entre os dois teria relação direta com a manutenção da Organização Social que gere, hoje, o Hospital de Minaçu. Na rádio Clube, nesta terça, Zilmar negou, mas confirmou que já havia levado a candidata para conhecer as mudanças que a Organização realizou no Hospital, pessoalmente. Lúcia havia se convencido, porém se manteve calada publicamente.

O repúdio do eleitorado minaçuense às alianças motivadas por interesses obscuros ficou evidente. Assim como o inconformismo, de aliados de Lúcia, que não acharam graça nenhuma na repercussão. Estão, até agora, tentando construir um discurso.

As próximas pesquisas, inclusive as internas, darão a resposta do potencial de transferência de votos de Zilmar. A meu ver, a matemática do votos permanece sem alterações, por que uma coisa é ter a máquina na mão, a outra, é ter capacidade de transferência de votos, que necessita ser precedida de uma historia mais longa, de uma trajetória de fidelidade das bases, coisa que não se viu nos últimos dias: enquanto uns seguiram os passos do prefeito, outros pularam para o lado de Leréia.

Não é preciso ir longe para compreender que o momento politico é de reflexão e lógica.

Políticos que mudam de lado, na primeira ou na última hora, seja pelo voto útil, ou por outra coisa útil, carregam consigo a pecha da desconfiança. A traição ao próprio discurso é algo que não passa mais desapercebido.

Isso tudo é novo? Não. Esta é a velha lógica da política, que transforma acordos em abraços e ódio em amizade. O que o eleitor está dizendo, é que sabe muito bem o que está acontecendo.





Danillo Neres

Jornalista

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