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Câmara ignora vontade popular e aprova OS em Minaçu



Depois de uma sessão conturbada na ultima segunda-feira, 26, a Câmara de Minaçu voltou a deliberar nesta segunda, 02, sobre a votação de uma Organização Social para gerir o Hospital Dr. Ednaldo Barbosa em Minaçu. Durante toda a semana, o presidente da Casa, Edmilson Seabra, rechaçou a possibilidade de validade da sessão anterior que terminou, em tese, aprovando a proposta naquele dia. Só que nesta segunda-feira, 02, a Câmara endossou o resultado e conseguiu os votos suficientes para aprovar a proposta.


Tudo graças ao vereador Edmilson do Filó. Ele foi o parlamentar responsável por decidir a votação. Antes, Edmilson era contrário ao Projeto, mas nesta sessão se absteve do voto antes mesmo do início da votação da matéria. Gilvan, o primeiro parlamentar a contestar a decisão do vereador, disse que ele precisaria explicar à população sua decisão. Para Gilvan, Edmilson faltou a sessão anterior por motivos curiosos, alegando ter sido inclusive vítima de uma picada de cobra.


MAIORIA


Depois de encarar a vontade popular, os vereadores em peso na Casa resolveram em sua maioria aprovar a proposta. O vereador Fabinho Santana, o mais exaltado de todos os parlamentares favoráveis, foi o centro do debate - recusou apartes no seu discurso em que acusava vereadores de apadrinhamento no processo de marcação de consultas. De tando tumultuar a sessão, chegou a ser pelo presidente expulso da Casa, pela Polícia Militar.


Nenhum dos vereadores favoráveis a proposta realizou um discurso pontuando o planejamento estratégico da OS, as metas e os resultados estimados a curto e a longo prazo.


VOTOS A FAVOR - PLACAR FINAL











ATA DA SESSÃO

A sessão teve o que prometeu: muita saia justa. Com parlamentares mais retraídos, o vereador Rodolfo Torres iniciou a sessão lendo a ata sessão do dia 19, e não a do 26, que ele mesmo manobrou para realizar sem a presença do presidente da Casa. Leia o que ocorreu aqui.


O vereador Fabinho Santana criticou a decisão da Câmara da última semana que culminou no encerramento da sessão. O vereador teria quebrado o microfone na última sessão. Nesse momento, o presidente ameaçou retirar o Fabinho Santana da sala que insistia em chamá-lo de ditador.


A sessão continuou com os vereadores que permaneceram na sessão anterior fazendo protestos. Eles queriam que constasse na ata que eles estavam presentes na casa.

Em seu discurso, o vereador Roldofo Torres chamou a vontade popular de "populismo". E parafraseou uma fala do ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. “Perdi em vários momentos a popularidade, nunca a credibilidade”. 


CABO QUEIROZ


O vereador Cabo Queiroz fez um discurso emocionado, afirmou estar deixando um legado de responsabilidade aos seus filhos e netos ao reprovar a matéria. Ele citou Ruy Barbosa, filósofo brasileiro, sobre ter tido vergonha de ter sido testemunha de tal decisão pública. " Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade", declamou.


E destacou "Tenho vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo! De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto", disse.


SÍLVIO E SANTINO

O vereador Silvio do Filó fez um discurso levado pela humildade. Agradeceu o apoio da população e rechaçou a ideia de ter feito com o prefeito Nick Barbosa um acordo para a mobilização contra a OS nas redes sociais. O Portal NG chegou a publicar uma nota sobre esse diálogo que Sílvio teria tido com o ex-prefeito. Já o vereador Santino criticou a postura autoritária da Câmara. "Sem saúde nós nao somos nada", disse, ao elencar os vereadores que tiveram a coragem de se manisfestar contra a proposta de criação da OS e questionou o Ministério Público pela omissão sobre matéria.


FABINHO SANTANA

Fabinho Santa defendeu as OS's que hoje atuam no Estado. Fez um discurso acusando de politicagem o processo de marcação de consultas. Criticou o vereador Santino por ter, segundo ele, faltado com a verdade por diversas vezes, ao dizer "que tem palavra". Ele criticou a exaltação da população e pediu para que uma das pessoas do movimento contrário falasse o seu nome em público.

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