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Descaso e impacto ambiental mudam a paisagem do Lago de Cana Brava; Saneago nega responsabilidade

Atualizado: Jan 27



Quem passa pela Ponte da Vila de Furnas vê um cenário assustador. Num lugar onde há 10 anos havia água corrente, hoje, é um deserto de lama assoreado por plantas derivadas de material orgânico: Ou seja, dejetos humanos e lixo. Muito lixo. É natural que nenhuma vida mais habite ali, dada a visão de inteira destruição da paisagem do principal afluente do Lago, o Rio Bonito.


Há 4 anos, o Portal NG realizou uma reportagem denunciando o descaso da Saneago. Isso porque, naquela época, toda vez que a cidade sofria queda de energia, o esgoto era lançado in natura no Rio Bonito e, pouco mais tarde, no Lago de Cana Brava.


Por não haver geradores autônomos, bastava faltar energia para a Estação parar de filtrar o esgoto e lançar o que vinha da rua diretamente no Rio e no Lago. Isso, de acordo com a Saneago, não acontece mais.


Porém, naquela época, seis geradores que poderiam dar autonomia total ao processamento do esgoto em caso de queda de energia flutuavam em um longo processo licitatório. Foram anos até que cinco dos seis geradores de energia capazes de bombear a Estação fossem adquiridos. E, ainda assim, o último gerador permanece em fase de licitação até hoje.


Sobre esse processo de licitação do último gerador, a Saneago afirma que:


O processo licitatório nº 4912/2018 – Edital 013/2019 foi realizado no dia 06 de junho de 2019 e está na fase de assinatura do contrato. Após assinatura, o prazo de entrega dos geradores é de até 10 meses.

Apesar de não haver até hoje geradores suficientes, a Saneago nega que haja envolvimento com a mudança de paisagem proveniente do descarte da Estação de Tratamento de Furnas. Ela alega em nota que:


Quanto à constatação de desvio de esgoto para o Córrego Amianto e o Rio Bonito, informamos que a Saneago não desvia efluente não tratado para os corpos hídricos durante sua rotina operacional. A companhia ressalta que as Estações Elevatórias de Esgotos possuem extravasores, para proteger o sistema quando ocorrer falhas eletromecânicas no bombeamento ou quando ocorrer aporte de vazão acima da capacidade de bombeamento (ligações clandestinas e/ou lançamento pluvial na rede) possibilitando assim, o extravasamento de esgotos para evitar acúmulo das vazões nas tubulações e retorno dos esgotos nos ramais das ligações domiciliares, o que causariam transtornos e danos de impactos ambientais ainda maiores.

Quem nos ajuda a entender esse “fenômeno” é a própria Saneago. É ela a responsável pela manutenção das Estações de Tratamento de Efluentes (ETE) que, em tese, cuidam do processamento do esgoto e impedem que ele se torne um problema para o meio ambiente.


O descaso de uma década


Desde a década de 2000, o Ministério Público vem pedindo, por meio de liminar, o reparo das estações elevatórias, de modo que cessem a emissão de esgoto nos rios e córregos da região. Essas bombas, segundo a Saneago, já foram adquiridas em número suficiente para evitar transbordamentos, mas os geradores, capazes de mantê-las funcionando em qualquer circunstância, não.


Em 2014, principalmente, as plantas derivadas do excesso de material orgânico, as macrofitas, já fugiam do controle; e a paisagem naquela altura já afastava a população das margens do Lago.


As deficiências na coleta de esgoto em Minaçu e a inércia da Saneago são antigas. Desde 2002, o MP vem conduzindo uma série de recomendações a empresa; acordos foram firmados e multas foram estipuladas. Hoje, nenhum órgão de defesa do Meio Ambiente, a Engie ou a Saneago, têm um Projeto de recuperação do Lago de Cana Brava.


Enquanto os órgãos de defesa se entendem, o Lago de Cana Brava, naquela região, vem perdendo sua identidade. É só olhar e constatar!

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