• O Norte de Goiás

Enel alega que problemas com queda de energia são pontuais em Minaçu




Mais de 6 horas sem energia elétrica. O caso aconteceu em Minaçu, na última terça-feira, 06, mas é algo recorrente na vida de moradores de bairros mais afastados do centro. A falta de luz que prejudicou moradores da cidade inteira, reascende um problema antigo enfrentado por moradores de bairros periféricos: o péssimo serviço oferecido pela Enel.

Para tentar explicar o que está acontecendo, o Portal NG buscou junto a sede nacional da ENEL informações mais específicas sobre o caso. E, para ser mais preciso nas respostas, conversou com José Januário de Oliveira Neto, responsável pela Operação e Manutenção da Enel Distribuição Goiás.

Para Enel, as quedas em bairros afastados ocorrem, basicamente, devido a picos de consumo, que é quando os consumidores utilizam mais aparelhos ligados a energia, isso explicaria os casos mais recorrentes aos fins de semana.


Do Centro de Operação em Goiânia, técnicos da Enel visualizam as linhas sobrecarregadas e manobram a redistribuição da rede à distancia, o que leva em média 3 minutos de queda. “Essas manobras tele-controladas duram no máximo até 3 minutos. E o cliente sente esse tempo. Mas é justamente essa tecnologia que evita termos de desligar a linha para fazer essa gestão”, explica o operador.

Mas o que acontece quando o período de retorno da energia é maior? Porque não houve por parte da Enel planejamento para essas demandas?

Para responder essas, e outras perguntas, o Portal NG conversa com José Januário de Oliveira Neto, responsável pela Operação e Manutenção da Enel Distribuição em Goiás.

As quedas são algo recorrente no período da tarde e início da noite. Quase sempre com volta repentina da energia, oscilação e queda de fase logo em seguida. Nos finais de semana as quedas são sistemáticas no período da tarde. O que explica isso?

Nós tivemos uma ocorrência em Minaçu, no dia 06, que foi a maior ocorrência dos últimos dias, onde tivemos um rompimento de condutor. O condutor se rompeu, e esse tipo de defeito é mais complexo. Nós deslocamos as turmas para fazer o atendimento por volta 13h40, divididos em 2 blocos para restabelecer o circuito, na parte urbana e rural. Todo o circuito foi normalizado por volta das 18h30. Esse foi o grande problema que tivemos em Minaçu. No dia 07, a Enel encaminhou uma equipe técnica especializada, com equipamentos que fazem a análise da rede, que consegue visualizar pontos frágeis. Paralelo a isso, nós passamos para o planejamento da construção de um pequeno trecho de rede, para que no futuro, caso haja problema, possamos manobrar os clientes de uma linha para outra. É um projeto já aprovado, com construção nos próximos dias. E isso vai trazer maior confiabilidade ao sistema.

Qual o tamanho dessa obra, seria uma nova estrutura para a subestação, como a de Niquelândia?

Não! Em Minaçu nós não fizemos uma nova subestação. Em Minaçu nos teremos um transformador reserva que fica dentro da subestação. É, praticamente, uma subestação auxiliar. Mas essa falha de Minaçu, especificamente, não é na subestação, são nos alimentadores de rua.

E esse transformador auxiliar já está instalado, em operação?

Ele já está instalado em Minaçu, é o que nós chamamos de reserva fria. Para quando nos tivermos um problema, de alguma eventual descarga, ele é acionado. Não foi esse caso, porque esse caso foi nas linhas, o que nós tivemos que reparar para restabelecer o serviço.

Porque há tanta instabilidade, uma vez que o retorno da energia, quase sempre é marcado por uma fase apenas, depois cai, e depois volta, e demora a estabilização? Hoje mesmo isso aconteceu!

Não é algo que acontece só em Minaçu. A elevação da temperatura aumentou o consumo. Foi feito um investimento em toda rede de Goiás a partir do momento que a Enel comprou a antiga Celg; foram mais de 5mil equipamentos de tele-controle, que possibilitam uma supervisão melhor da rede a partir do Centro de Operação em Goiânia. Por exemplo, de lá, eu vejo que se em Minaçu um trecho de uma linha o consumo está alto, e no outro, o consumo está menor, nós fazemos uma gestão do consumo com esses equipamentos. Essas manobras tele-controladas duram no máximo ate 3 minutos. E o cliente sente esse tempo. Mas é justamente uma tecnologia que evita termos de desligar a linha para fazer essa gestão. É importante dizer, o consumo de energia está alto, acima de 3%, quando se compara a outubro do ano passado. Primeiro, pela questão da temperatura, que faz com que as pessoas consumam mais energia. E o fator da pandemia, em que as pessoas estão mais em casa.

Não seria o caso de fazer um planejamento para a cobertura dessa demanda, uma vez que estamos caminhando para o 7º mês de pandemia?

Sim, o planejamento nos possibilita fazer isso. Eu sou da época da antiga Celg, e o que acontecia antes, nesses casos? Nós tínhamos que desligar os trechos da linha para que o sistema pudesse se reequilibrar. Hoje não mais! Nós fazemos a gestão do consumo [à distância]. Então a tecnologia hoje existe para que consigamos manter o sistema em operação. Nós estamos fazendo investimentos para suprir a crescente demanda nos próximos 3 anos. Desde 2017, já investimento R$2.5bi, para a robustez da rede.

Quando a gente liga na Enel, dizendo que acabou energia, o sistema de atendimento diz que é algo que está sendo monitorado, mas a volta ocorre muito tempo depois? Por que essa falta de previsão?

Nós temos o chamado Tempo Estimado de Retorno das Ocorrências, sempre atualizado. Nós temos vários tipos de ocorrência, do padrão do cliente, ao um condutor rompido, caso que aconteceu em Minaçu. E nós temos um indicador chamado, Tempo Médio do Atendimento Emergencial, que mostra quanto tempo a companhia tem levado para fazer o atendimento, e a Enel Goiás tem o melhor indicador do centro-oeste. Isso por duas ações: o aumento de 73% o volume de turmas em campo e ampliação da equipe operacional.

Com base em tudo isso que já dissemos, qual a previsão de cessar, por completo, essas quedas esporádicas que ocorrem em Minaçu? A Enel tem noção dos prejuízos causados às pessoas, aos comerciantes, os idosos que sofrem com o calor, pessoas com deficiência ou comorbidade que precisam de energia constante?

Nós fazemos um acompanhamento diário. Não temos relatos de sobrecarga na substaçao, mas temos um transformador auxiliar, por questão de segurança. O que nós orientamos é: Há muitos casos é que os problemas são no transformador que atende determinada quadra, uma rua. Entao se morador observa um comportamento inadequado do aparelho, ele precisa fazer o registro nos nossos canais de atendimento, para que a gente analise o casos específico. Hoje, quando se analisa Minaçu, o sistema com um todo, nós temos duas linhas principais operando, dentro de sua capacidade. O que podemos analisar, é caso a caso, para ver se o problema não está próximo ao cliente. E esse o melhor caminho. A nossa sugestão é que, para cada problema verificado, o cliente nos comunique através dos nosso canais de atendimento.

O que o consumidor que se sentir lesado pode fazer? Uma aparelho queimado, por exemplo... para não enfrentar a morosidade da justiça?

O cliente pode, sim, através dos canais de comunicação solicitar o ressarcimento. A distribuidora tem um prazo legal para análise e todos os casos são analisados.



* A empresa orienta que o responsável pela unidade consumidora pode formalizar o pedido de ressarcimento pela agência virtual no site da empresa (https://www.eneldistribuicao.com.br/go/solicitarservicos.aspx), pela Central de Atendimento (0800-62-0196) ou pelo WhatsApp Elena (https://tinyurl.com/r5occvf), enviando um “Olá” para o número (21) 99601-9608, informando sempre o número da unidade consumidora, a data e o horário aproximado do acontecido e os equipamentos danificados (marca e modelo).


Todos os direitos reservados - 2015-2019 Jornal O Norte de Goiás