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O que o último debate rendeu para os candidatos




O segundo e último debate em que as duas emissoras de rádio, Clube e Serra da Mesa, realizaram nesta quarta-feira, 11, mostrou, sobretudo, ciência de responsabilidade de cada candidato. Foi um debate mais ameno, com debatedores até mais abatidos pela extensa carga de trabalho que a campanha exigiu até aqui.

Lúcia Barbosa não foi ao debate, e, desta vez, nem justificativa deu. Era como se obrigação não tivesse, ou que fosse algo alheio à sua responsabilidade. Cabo Queiroz, ao dizer da ausência da candidata, tocou no fundo da lógica: “Se uma candidata não vem a um debate com três pessoas, como ela vai dialogar com 13, com uma Câmara de Vereadores, onde cada um tem uma índole?”, questionou. Por uma questão de estratégia, no mesmo horário, Lúcia marcou outro compromisso, uma live no Facebook.

E o debate seguiu:

Os candidatos que chegaram à sede do Sindicato dos Servidores vieram mais seguros, mais propositivos, mais empáticos e com mais bagagem de povo, afinal foram 41 dias conhecendo histórias, pessoas e necessidades reais. Essa bagagem foi fundamental para a construção de um debate mais conectado à realidade das pessoas, com mais propostas para a resolução de problemas, salvo, claro, de alguns momentos mais altos de confronto.

Carlos Leréia

Primeiro a fazer uso da palavra, Lereia disse da sua trajetória como deputado federal, afirmou que vai usar da sua experiência e das redes que construiu em Brasília para resolver os problemas que historicamente foram ignorados. Lereia prometeu taxar empresas prestadoras de serviço, como internet e telefone, para pressionar contrapartidas; disse que vai buscar a ENEL e a Saneago para solucionar os dilemas sobre as quedas de energia e esgotamento no Lago de Cana Brava. Reiterou que pretende devolver o Hospital ao comando do município e fazer uma gestão transparente.

Dr. Wesley Medeiros

Bastante preparado, Wesley afirmou que chegou à reta final “contrariando” muitas pessoas. “Eles falam que não entrei na hora certa. Essa é a hora certa”, disse Wesley ao afirmar que do lado de fora havia milhares de indecisos. “Eles não querem ouvir essas promessas vazias. Cabe a você eleitor mudar o final dessa novela”, disse.

Wesley afirmou que, se eleito, irá buscar a fundo a real demanda orçamentária e financeira da saúde, fazer uma gestão enxuta e focada no uso racional dos recursos; falou de planejamento e conexão entre secretarias para o amparo às pessoas, em todas as áreas, do social à educação.

Queiroz

Queiroz reafirmou que tem feito uma campanha modesta. Chegou ao debate mais disposto ao confronto. Entre uma proposta e outra, criticou Dr. Wesley por vir a Minaçu, de 2 em 2 anos para concorrer à eleição e, Lereia, por atribuir a ele obras que já viriam à cidade sem necessidade de qualquer intervenção. Queiroz também desafiou Leréia a publicar uma lista de obras que ele conquistou através de suas emendas.

Criticado, de volta, por fazer parte de uma das legislaturas da Câmara mais rejeitadas da história, disse: “Eu fico envergonhado de dizer que estou vereador nessa gestão. Na minha cadeira eu sempre defendi o cidadão com garra", retrucou.

Ponto alto


Um dos pontos altos do debate foi quando Dr. Wesley interpelou Leréia sobre corrupção, que segundo ele, começa na campanha com a distribuição de gasolina e favores. Leréia, em resposta foi direto; afirmou que, dentro da Lei, tem usado o fundo partidário com responsabilidade, e, que se eleito, irá disponibilizar todas as ações no portal da transparência. “Eu quero que a Prefeitura disponibilize tudo, cada abastecimento, cada pagamento, toda a arrecadação. Aqui, ou na Prefeitura, teremos responsabilidade com dinheiro público”, respondeu.


“A minha campanha tem responsabilidade, estamos fazendo tudo dentro da lei. E eu quero que denunciem, inclusive, qualquer irregularidade que houver na minha campanha”. "A justiça ta ai é pra isso”, disse.

Leréia também criticou o áudio atribuído a coligação de Lúcia onde afirmam utilizar de kombis para “despejar” pessoas na carreata. “Nem boi a gente despeja”, comparou,

Apoiado por Queiroz, Lereia também questionou o motivo pelo qual há tanto interesse de políticos que querem manter a OS. “Esse dinheiro vai para o bolso de alguém e eu quero saber. Existe uma série de interesses em gerir esse Hospital”, disse, tendo em seguida concordado Queiroz: “Eu queria ter uma bola de cristal para saber onde está indo esse dinheiro”, completou.

E chegamos ao fim

O debate acabou! Todos os candidatos que foram merecem reconhecimento, respeito, afinal, foram dispostos a "ouvir o que não queriam", por mais que doessem ou discordassem. Debate é isso. E todos, novamente, se sobressaíram muito bem. Qualquer um dos três que ganhasse teria jogo de cintura para lidar com os problemas e isso ficou evidente, na fala, nos gestos, e no trato que tiveram uns com os outros.

Quem venceu o debate? Quem ouviu, quem falou, eu, você, a democracia.





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