• serra verde

Traído, Nick Barbosa analisa voltar à Prefeitura apenas em 2021


Afastado desde maio deste ano, o ex-prefeito de Minaçu Nick Barbosa (DEM) conversou com o Portal NG nesta semana. Ele falou dos últimos desdobramentos do processo que levou à sua cassação e das estratégias que pretende se valer para retornar ao cargo, mais tranquilamente em 2021.


Nick foi cassado em maio deste ano pela Câmara de Vereadores por ter utilizado funcionários da Prefeitura para o transporte de madeira da fazenda dele para obras públicas na cidade. No centro do processo, também consta a contratação de um funcionário “fantasma”, lotado em Goiânia, para prestar apoio logístico à população de Minaçu.


O ex-prefeito não nega as acusações, mas diz ter sido alvo de uma campanha desonesta liderada pelos vereadores e seus próprios secretários. Nick afirma não ter oficializado o recurso que pretende junto à Justiça, por estar se recuperando de uma cirurgia de retirada de um mioma, mas que irá fazê-lo nos próximos dias.


Como o senhor está hoje quase quatro meses depois de todo esse processo?


Eu estou tranquilo. Por um motivo muito simples! Eu fui cassado pelos vereadores não pela Justiça. Eu não aceitei aquilo que os vereadores queriam fazer comigo e com o município. Eu não aceitei participar dessas negociatas que eles tinham o hábito de fazer. Se eles pedissem uma coisa justa, uma coisa dentro da Lei, eu faria. Mas da forma que eles queriam. Eu não aceitei.


O senhor tinha maioria na Câmara quando o senhor se elegeu. O que aconteceu?


Tinha sim! Fui eu que articulei para eleger a presidência. No primeiro ano, e no segundo, estava indo muito bem [a relação entre o governo e a Câmara]. A cidade estava numa situação precária, devendo muito, não tinha crédito. Foi aí que eu coloquei a Prefeitura em situação favorável, com certidões, com colégios, Hospital, Prefeitura, reformados. Coloquei o pagamento em dia. A gente tinha quase 40 milhões em emendas. Foi aí que eles cresceram o olho.

Aí eles cresceram o olho: eles falaram “aí é o momento da gente pegar” [a Prefeitura]. Estavam seduzidos por uma proposta milagrosa de aumento do salário deles. Aconteceu que eles caíram na graça e agora estão decepcionados. Eu tenho certeza que eles estão decepcionados.

Depois que que eu sai nada mais foi feito em Minaçu.

Nada, nada. Estou sabendo que está um desastre.


O senhor está acompanhando os desdobramentos para tornar o Hospital Municipal uma OS?


Um absurdo um trem desse. É um absurdo. A nossa cidade atende oito cidades vizinhas. É uma cidade pobre, porém que ainda assume a responsabilidade de atender cidades vizinhas. Paranã, Cavalcante, Colinas, Campinaçu. Tem pessoas aqui do outro lado do Rio [Maranhão] que para chegar à cidade deles é mais de 70 km, para chegar aqui, é 20km. Eu deixei o hospital em boas condições, com 18 leitos, laboratório novo, raio-x novo, tudo computadorizado, colocamos 21 médicos atendendo. Equipei a saúde dessa cidade como nunca ninguém fez. Priorizei a Saúde e a Educação.


Se tudo estava indo bem, porquê o senhor foi cassado?


Porque eu doei uma madeira da minha fazenda e coloquei uma pessoa para acompanhar os doentes daqui para Goiânia. Eu contratei essa pessoa por R$ 1200 para levar os pacientes até os laboratórios que eles iam fazer as consultas. Essa pessoa assumiu um papel de facilitar a vida da população lá em Goiânia.


Essa pessoa estava contratada pelo município?


Estava contratada pelo município. Só que eu não fiz a portaria [que abria precedente para esse tipo de contratação]. E os vereadores já estavam de olho nisso. Porque a lei estava pronta há um ano. Aí os vereadores junto com os secretários, aqueles que eu não pude ajudar, fizeram uma armadilha. Fizeram uma armadilha para que eu não fizesse essa portaria.


Onde o senhor errou em relação ao diálogo com eles?


Foi de dizer “não” a todos os 13 das coisas que eles pediam e que eu não achava correto.


E o que eles barganhavam?


Coisas que eram fora da normalidade!

As coisas que eram fora da normalidade, eu não atendia!


Mas o quê especificamente?


Nomeação de parentes, uma delas, é uma coisa que eu não podia fazer. O promotor já havia me dito por meio de ofício que eu não podia fazer. Nem nomear, nem contratar carros nem máquinas deles [dos vereadores].


O senhor chegou a procurar a Justiça depois de cassado?


O meu recurso vai começar com a juíza daqui. Como eu estou de atestado, eu acho melhor esperar eu me recuperar. Eu deixei tudo legalizado. Eu deixei um débito 1.2 milhão e um crédito de 5.7 milhões. E um valor a entrar no mês de maio de mais de 1 milhão e 500 mil. Nunca tinha acontecido isso em Minaçu.


O senhor vê chance de voltar ao cargo com esse recurso que pretende impetrar?


Se eu não conseguir a alta, se o meu procedimento médico for alongado, se eu ver que a Prefeitura vai ficar com muito débito, eu vou esperar até o ano que vem. Vou me candidatar novamente no ano que vem. Eu estou livre para ser candidato. Eu vou deixar essa confusão passar! E digo uma coisa: Eu vou ganhar com uma grande margem, eu tenho certeza.

Tenho recebido muitas mensagens, muitas visitas, muitos telefonemas de pessoas que estão a meu favor.


Qual o recado o senhor têm para as pessoas que viraram as costas para o senhor?


O eleitor mesmo não virou as costas para mim não!


Foram as lideranças então?


Quem virou as costas para mim foram os elementos oportunistas, aqueles que eu confiei. Aqueles que eu confiei colocar como secretário. Aqueles que caíram na fantasia, em promessa de ganhar mais. Aqueles que queriam se corromper e ficar rico dentro da prefeitura. Quando fui candidato, não prometi para ninguém ficar rico dentro da prefeitura. Eu falei que iríamos enriquecer a cidade para cidade enriquecer o povo.


Tem muita gente que ficou com raiva de mim por não permitir “meter a mão” na prefeitura. Eu organizei a prefeitura como uma empresa. E agora, estou vendo que está tudo bagunçado. Se você fizer uma visita aqui na cidade e perguntar para o povo: Nesses três meses que eu saí, se eles [a nova gestão] conseguiram tampar algum buraco? Ou se eles passaram uma brocha em algum lugar fazendo reforma? Eu mudo meu nome. Não fizeram nada, só fizeram débito, e festa. Festa é o que eles gostam!


Nessa perspectiva, se senhor voltar à prefeitura a partir de 2021 não seria pior?


Sim, mas é mais fácil de você conduzir. Você começa do zero! Você tem mais experiência, começa a selecionar as pessoas certas. Se eu pegar a prefeitura agora eu pego numa condição de corresponsável. Aí eu tenho que arrumar a porcaria que ele está fazendo. Eu ainda vou ser responsável pelas cagadas que eles estão fazendo junto ao TCM.

Até o meu último balancete está fechado. Se você verificar no TCM todos os balancetes estão aprovados. Tem uma improbidade só!


Qual tipo de improbidade?


Eu fui proteger um engenheiro meu. Inclusive foi um dos traidores. Acabei pagando uma multa lá de 60 e poucos mil.


É o caso da simulação do processo seletivo?

Sim!


Eu já fiz essa pergunta ao senhor em outras entrevistas, mas ela ainda é pertinente. Depois de ser empresário, fazendeiro bem sucedido, o senhor se arrepende de ter entrado para a política?


Eu não me arrependo. Sabe por que eu não me arrependo? Porque eu sei o que é o ser humano. Jesus veio para a terra e sofreu muito. Foi traído. O que o Judas fez com Ele? Você imagina ser traído por uma pessoa que comia na mesa Dele, que ouvia as palavras Dele, mas que o traiu no pior momento?

Nunca fiz nada com intenção de prejudicar ninguém. Tudo que eu fiz foi por amor a Minaçu. Eu coloquei carro meu combustível, meu. Eu coloquei coisas minhas para trabalhar para o município, de graça.


Nessa ânsia que o senhor diz ter em ajudar Minaçu com recursos próprios até, em nenhum momento, lhe passou pela cabeça que isso ia dar problema? O senhor não foi orientado pelo jurídico?


Orientado em parte. Eu fiz a minha parte, mas o assessor que me traiu não fez: A portaria da madeira e a portaria do rapaz que eu coloquei para trabalhar em Goiânia. O restante eu tenho tudo documentado. Do caminhão muck, do carro da minha esposa, da caminhonete. Do galpão da Educação que é meu e que está até hoje cedido de graça para prefeitura. Da

casa de passagem que eu arrumei para Prefeitura para colocar as crianças. Tem muita coisa minha que ainda continua. Eu não tirei para dizer que eu sou egoísta.


Essa pessoa que deixou de fazer esse procedimento era o seu secretário de gestão?

Sim, que inclusive tá lá até hoje.


O senhor pretende se rodear dessas pessoas no futuro?


Eu vou me rodear de pessoas que eu confio agora! Tem pessoas que estão lá, que são poucas, que eu vou querer. Quero por que são da minha confiança. Se eu chegar a voltar eu vou querer do meu lado.

Mas para eu voltar eu preciso saber como está as contas. Se tiver muita bagunça muito débito, eu não quero aquele negócio lá não. Nesta legislatura não.

Esse substituto tá dizendo que vai se candidatar. E eu quero disputar com ele. Eu quero ver se ele é tão bom assim de voto. Estão dizendo que foi ele que me fez. Então vamos ver se foi ele mesmo que me fez ganhar eleição.


Qual o recado o senhor deixa para a população de Minaçu, sobre o seu retorno?

Quando eu voltar, voltarei mais tranquilo. Vou estar bem mais calmo. Esse mioma não me deixava tranquilo. Eu não gostava de barulho, eu não gostava de confusão. O meu trabalho vai continuar da mesma forma, só que com uma diferença: eu vou dar valor aos meus companheiros, aqueles que me fizeram ganhar eleição.


Quero fazer mais visitas na casa do povo. Conhecer de perto as pessoas que me fizeram ganhar eleição. Agora essas pessoas que me traíram, vou buscar um caminho diferente para eles.

Que Deus me ajude. Se for pelo bem de Minaçu volto após a minha recuperação. Se não der certo, ano que vem a gente se encontra na eleição!

Todos os direitos reservados - 2015-2019 Jornal O Norte de Goiás